É esse aqui que tá fazendo a minha cabeça...
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Leminskiniana
as lembranças de ti
de alguns dias atrás
Mallarmé, o meu gato
e uma conta a pagar da Comgás.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Fechado para balanço
A todos os velhos amigos que me acompanharam nesta imensa colina do tempo chamada dois-mil-e-nove e aos novos rostos, palmas, olhos e timbres de voz que surgiram na vida meus imensos desejos poéticos. E também aos cafés, bares, pontos de ônibus, praias, parques, alojamentos universitários, apartamentos em Santa Cecília, lajes em Santa Teresa ou salas de Kreuzberg, aos cinemas, palcos e aos estúdios de tatuagem que serviram de cenário para as loucas piruetas de nossa mente em eterna busca. Sem saber até quando, seguimos juntos por este trecho da vida. A despeito das chuvas recentes sobre a cidade, a alameda segue até longe. Grande. Imensa. Gigante. Quem sabe mesmo infinita.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Profissão estatístico
"A equipe criou gráficos que mostravam o histórico de amizade de um indivíduo e se ele apresentou sinais de solidão, e assim criou-se um padrão desta relação entre ele e seus poucos amigos".
Depois tem gente que fala que o mundo anda pouco poético..
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
São Paulo hora zero
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Barrenfields e o disco do Pavement (As Horas - Parte 2)
Diversas conversas e acontecimentos recentes vêm me levado a conclusão de que a vida, no sentido grande da palavra, está se tornando algo cada vez mais colateral ou efetivamente secundária. Acho que os multimedia, o acesso instantâneo a internet e demais facilidades tecnológicas nos causam uma completa perda de foco. Sinto que sob camadas sobrepostas de atividades, acabamos não nos dedicando a nada com a devida atenção. Um exemplo: há quanto tempo você não senta para ouvir um disco? Não estou falando de colocá-lo no seu MP3 player ou deixar a playlist rolando no random enquanto está fazendo outra coisa, estou falando de ouvir mesmo o disco, tirar quarenta ou cinqüenta minutos da sua vida pra escutar o que um outro ser humano (ou um grupo de seres humanos) tem a dizer sobre o mundo. Fiz isso essa semana com Terror Twilight do Pavement e a sensação foi boa, sinto que depois disso posso ir para outras, tocar algum novo projeto, escrever um texto melhor, pensar em melodias diferentes etc etc etc..
É engraçado... Tenho saudades dos tempos em que eu podia passar a tarde inteira jogando Lords II. Acho que, vez ou outra, ainda poderia fazê-lo, mas, claro, isso não teria o mesmo valor, nem o mesmo significado. Fora que muito provavelmente eu seria tomado por um sentimento de culpa de estar dedicando 3 ou 4 horas de minha vida a um fim tão inglório quanto triunfar com meus exércitos num joguinho de computador feito para Windows 95. Pode ser, aliás, que eu nem lembre direito dos comandos do jogo. O dia-a-dia e as novas exigências vão nos afastando das coisas com as quais fomos verdadeiramente íntimos. A experiência, por outro lado, nos traz novas dimensões: hoje, tirando quarenta e poucos minutos da minha vida para ouvir Terror Twilight comecei a entender a importância de deixar uns tantos campos ociosos nas propriedades da mente.
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(p.s: queria deixar claro que esse texto é uma exceção. Sinceramente não gostaria de ter que recorrer a esse tipo de lembrança para expor minhas idéias. Pelo menos não por enquanto. Acho que minha geração sofre de uma certa "nostalgia precoce" ativada, em parte, por esses objetos infantis de décadas passadas - jogos, brinquedos, programas de televisão, personagens etc. Quando vejo grossos compêndios e catálogos de atrações do tipo Trash 80's, com listas de péssimos grupinhos musicais, fotos de chicletes coloridos e caras com cortes de cabelo horripilantes desconfio que esse movimento de nostalgia coletiva está longe de ser neutro. Será birra minha ou tem muita gente querendo ganhar dinheiro em cima da recriação de um suposto mundo perdido, oferecendo-nos baladas com músicas do Dominó e camisetas do Fofão?).
domingo, 6 de dezembro de 2009
Filme #51
Via de regra, esses otimismos costumam passar também para o mundo das artes, mas daí a diferença, digamos assim, estética, entre os anos 1950 e a nossa década começam a aumentar. A Vera Cruz e demais companhias cinematográficas nascentes no período encarregaram-se de lançar nas salas brasileiras do período uma boa centena de filmes pra-frentex, uns bons, outros menos.
Acho que muitos desses filmes merecem ser vistos justamente sob essa chave do "otimismo", quer dizer, são documentos palpitantes de um país que se buscava e tentava afirmar-se culturalmente mundo afora. Poderia recomendar uns blockbusters tipo um Sinha Moça ou O Cangaceiro, mas faço uma recomendação mais prosaica que é Simão, o caolho, filme de 1952 dirigido por Alberto Cavalcanti e produzido pela Maristela. O filme narra as traquitanas e peripécias de um caolho que tenta a todo custo recuperar o olho perdido, sujeitando-se mesmo a experiências malucos e técnicas mágicas.
Sei lá, a cada cinqüenta anos o Brasil tem um surto de loucura e de cegueira. Temo, todavia, quando essas maluquices saem das telas de uma comédia do Cavalcanti e ganham vida, cor e forma. Tem um momento em que a euforia vira fanatismo e eu acho que aí as coisas começam a ficar perigosas. Não será talvez este o caso de um Lula, o filho do Brasil, estréia marcada para o primeiro dia da década de 2010?
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Depois da revoada
a passagem do sul
e o veio da chuva
a dizer-me que sim
Depois da revoada
o silêncio e o
ensaio que fiz com
as mãos sobre o
mundo sem campo
Mais o vão entre
as velas e um não
ter-te senão depois
depois
depois, um dia depois
depois da revoada.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Filme #52
Walter Benjamin, Infância Berlinense
Gosto das listas porque elas são como fios de Ariadne. Singelas, porém fundamentais, elas nos permitem alcançar um fim, incerto que seja: a saída para Creta ou o encontro com um Minotauro. Gosto das listas porque posso desfazê-las quando quiser, recriá-las, destruí-las, alterar a meu bel prazer sua sintaxe. Gosto da maneira pela qual o mais importante nem sempre vem no final e a sutil ironia de que a resposta ao enigma talvez esteja no meio de caixotes, pilhas de objetos sem vida ou por entre as recordações primitivas. Gosto, por fim, da maneira pela qual minha lista embaralhará, num futuro qualquer, a cabeça de historiadores, jornalistas e escafandristas que, embasbacados, perguntar-se-ão pelas loucas razões pelas quais coloquei Cidadão Kane como o filme cinqüenta-e-dois e não onze, quinze, quanta, arcsen(1) ou ptyx.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Filme #53

As férias do senhor Hulot, Jacques Tati, 1953.


